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O melhor sistema de dinheiro do mundo que ninguém consegue usar

Arca Team 10 min de leitura

Principais conclusões: Dólares digitais movimentam US$ 33 trilhões por ano, liquidam em segundos e custam quase nada. Só que as carteiras construídas em cima dessa tecnologia são hostis pra quem não é engenheiro. Seed phrases, taxas de gas, seleção de rede e aprovações ilimitadas de tokens criam um abismo de experiência que deixa bilhões de pessoas de fora. O produto que fechar esse abismo vai parecer um app de banco por fora, com trilhos de dólares digitais rodando por baixo.


Faz um ano que estamos construindo uma carteira de dólares. E quanto mais tempo passamos nesse universo, mais convictos ficamos de duas coisas que não deveriam ser verdade ao mesmo tempo.

Primeira: a tecnologia por trás dos dólares digitais é extraordinária. Mandar dinheiro pra qualquer lugar do planeta em segundos, por quase nada, sem banco no meio. Isso é real. Funciona. Não é teoria.

Segunda: quase ninguém consegue usar de verdade.

Não porque falte inteligência. Porque os produtos construídos em cima dessa tecnologia foram feitos por engenheiros, pra engenheiros. E o resto do mundo ficou com interfaces que mais parecem declaração de imposto de renda em outro idioma.

Esse é o abismo em que a gente pensa todo santo dia.

O que os dólares digitais realmente resolveram

Antes de falar do que tá quebrado, vale reconhecer o que funciona.

Dólares digitais liquidam em segundos. Não em horas. Não em “1 a 3 dias úteis”. Segundos. Uma pessoa em Manila pode receber dinheiro de um parente em Dubai antes de quem mandou guardar o celular no bolso.

As taxas são uma fração do que o sistema tradicional cobra. O custo médio global pra mandar dinheiro entre países ainda é de 6,49%, segundo o Banco Mundial. Bancos cobram até 14,55%. Transferências bancárias saem por US$ 35-50 cada. Transferências de dólares digitais custam centavos.

E os números falam por si. O volume de transações de dólares digitais bateu US$ 33 trilhões em 2025, alta de 72% em relação ao ano anterior. Na prática, é aproximadamente o dobro do que a Visa processou no mesmo período. O mercado total passou de US$ 300 bilhões no começo de 2026. Mais de 13% das instituições financeiras já usam, e mais da metade das que ainda não usam dizem que planejam começar dentro de um ano.

Isso não é nicho. É um sistema financeiro paralelo crescendo mais rápido do que qualquer coisa que vimos em décadas.

Então por que sua mãe não consegue usar?

História de terror #1: As 12 palavras entre você e seu dinheiro

Funciona assim na maioria das carteiras hoje. Você se cadastra. O app gera 12 palavras aleatórias. Manda você anotar num papel, guardar num lugar seguro e nunca perder.

Pronto. Esse é todo o modelo de segurança. Doze palavras num post-it.

Se você perder essas palavras, perdeu seu dinheiro. Não é “liga pro suporte e redefine a senha”. É perder de verdade. Pra sempre. Sem recuperação. Sem recurso. Sem ninguém pra ligar.

Pesquisas mostram que 20-25% dos usuários de cripto já perderam acesso aos fundos pelo menos uma vez por causa de problemas com seed phrases. Um em cada quatro. E esses são os que conseguiram passar da tela de cadastro.

Vi meu cofundador tentando explicar seed phrases pros pais dele num jantar. O pai, contador aposentado, olhou pra ele e falou: “Então é tipo uma senha, mas se eu esquecer, perco tudo, e ninguém pode me ajudar?” Isso. Exatamente isso.

Nenhum banco funciona assim. Nenhum app de pagamento funciona assim. Mas de alguma forma, uma indústria que processa trilhões de dólares decidiu que isso era aceitável.

História de terror #2: Você precisa comprar uma moeda pra mandar outra

Imagina ir aos Correios pra mandar uma carta. Só que antes de comprar o selo, te dizem que primeiro você precisa adquirir um token postal especial, que o preço desse token muda a cada 30 segundos, e que às vezes nos horários de pico o token custa mais que a própria carta.

É assim que taxas de gas parecem pra uma pessoa normal.

Pra mandar dólares digitais na maioria das carteiras, você precisa ter uma moeda completamente diferente pra pagar a taxa de rede. Não dá pra pagar a taxa em dólares. Você tem que ir a uma exchange, comprar a moeda da taxa, transferir pra sua carteira (garantindo que selecionou a rede certa, assunto que vamos abordar já já), e aí sim pode mandar seus dólares.

E a taxa vive mudando. Em momentos de congestionamento na rede, o que custa US$ 0,50 numa terça tranquila pode sair por US$ 15 numa quinta movimentada. Tem gente que relata taxas maiores que o valor da própria transação.

É como ter que comprar fichas do posto antes de abastecer o carro. Ninguém aceitaria isso em qualquer outro contexto. Mas no mundo dos dólares digitais, virou rotina.

História de terror #3: O problema da rede errada

Esse aqui dói de verdade. E acontece mais do que as pessoas imaginam.

Dólares digitais existem em múltiplas redes. Pense nisso como ter dólares em cofres diferentes que não se comunicam entre si. Os dólares parecem iguais. Têm o mesmo nome. Valem o mesmo. Mas se você mandar dólares de uma rede pra uma carteira em outra rede, eles podem simplesmente sumir.

Não foram roubados. Não foram hackeados. Simplesmente… desapareceram. Parados num lugar que você não consegue alcançar porque escolheu a opção errada num menu dropdown.

Algumas carteiras e exchanges ajudam a recuperar. Outras não. A Coinbase é bem rígida nesse ponto. Outras cobram taxas de recuperação. E a experiência de ver seu dinheiro desaparecer porque selecionou “Ethereum” em vez de “Base” numa lista de opções quase idênticas é o tipo de coisa que faz as pessoas desistirem da tecnologia inteira.

As carteiras que jogam essa escolha na mão dos usuários sem avisos claros, sem seleções padrão, sem rede de segurança, estão colocando todo o peso do conhecimento de infraestrutura em gente que só quer mandar dólares.

História de terror #4: A permissão que você não sabia que deu

Essa aqui é mais sutil, e justamente por isso é perigosa.

Pra usar a maioria dos apps no universo dos dólares digitais, você precisa dar permissão pra acessar seus fundos. A carteira mostra uma confirmação. Você clica em aprovar. Parece normal.

Só que o detalhe que a maioria das pessoas não percebe é o seguinte: muitos desses apps pedem permissão ilimitada. Não “US$ 50 pra esta transação”. Ilimitada. Pra sempre. A aprovação fica ativa na rede mesmo depois que você fecha o app, deleta sua conta ou esquece que o serviço existia.

Meses depois, se esse app for comprometido, ou se já era mal-intencionado desde o início, alguém pode drenar todo o seu saldo usando aquela permissão que você deu quando clicou “aprovar” sem ler as letras miúdas.

Mais de US$ 200 milhões foram perdidos em ataques baseados em aprovação só em 2024 e 2025. A CertiK documentou 47 exploits separados num único trimestre, com média de US$ 4,2 milhões cada.

O usuário não fez nada de errado. Usou um app da mesma forma que usa qualquer outro. Só que essa tecnologia pune o comportamento normal.

Dois mundos, ambos quebrados de formas diferentes

Ou seja, temos dois sistemas financeiros, e nenhum funciona pra todo mundo.

Bancos tradicionaisDólares digitais
InterfaceÓtima. Apps fazem sentido.Hostil. Feita pra engenheiros.
Velocidade de transferência1-5 dias úteisSegundos
Custo de transferênciaUS$ 15-50 por transferênciaCentavos
AcessoExige identidade, agência, mínimosQualquer um com celular
Modelo de segurançaSenha + suporte ao clienteSeed phrase de 12 palavras, sem recuperação
Moeda da taxaA mesma do seu dinheiroToken separado necessário
Alcance global1,3B de adultos excluídosDisponível em todo lugar

O sistema bancário tradicional tem interfaces excelentes. Apps mobile que fazem sentido. Suporte ao cliente que você pode ligar. Redefinição de senha que funciona. Mas os trilhos por baixo são lentos e caros. Mandar dinheiro pro exterior leva dias e custa uma fortuna. Abrir conta em dólares exige papelada, mínimos e muitas vezes ida presencial à agência. Quem é do Brasil sabe: antes do Pix, transferência entre bancos era um pesadelo. Agora imagina isso em escala internacional, com 1,3 bilhão de adultos no mundo que nem conseguem entrar no sistema.

Dólares digitais têm trilhos incríveis. Rápidos, baratos, globais, disponíveis pra qualquer um com celular. Mas os produtos construídos em cima deles são hostis pra gente normal. Seed phrases. Taxas de gas. Seleção de rede. Aprovações ilimitadas de tokens. Cada passo é uma armadilha esperando acontecer.

A tecnologia resolveu o problema do dinheiro. Ninguém resolveu o problema da experiência.

Como a solução realmente se parece

Não achamos que a resposta seja “facilitar cripto”. Observamos essa abordagem por anos. Em geral, significa adicionar uma tooltip numa tela confusa, ou escrever um artigo de ajuda que explica taxas de gas em linguagem mais amigável. Isso é maquiagem no problema.

A resposta é começar pela direção oposta. Começar pelo que as pessoas já entendem. Apps de banco. Apps de pagamento. As interfaces que 3 bilhões de pessoas já usam todo dia. Pense no Nubank, no PicPay, no Mercado Pago. E coloque a infraestrutura de dólares digitais por baixo, invisível, fazendo o que faz de melhor.

Sem seed phrases. Use email, telefone, biometria. A segurança acontece nos bastidores com a mesma força criptográfica, mas o usuário nunca vê.

Sem taxas de gas. O app cuida dos custos de rede. O usuário manda dólares e vê “grátis” ou uma taxa fixa simples. Acabou.

Sem seleção de rede. O app escolhe a rota mais barata e rápida automaticamente. O usuário não sabe nem se importa por qual rede os dólares viajam. Nem deveria precisar saber.

Sem aprovações ilimitadas. Sem assinatura bruta de transações. Sem telas de confirmação cheias de endereços hexadecimais e chamadas de contrato que parecem feitas pra máquinas. Porque foram feitas pra máquinas.

O produto que vai dominar esse mercado vai parecer um app de banco. Vai ter a sensação do Nubank ou do Wise. Mas por baixo vai estar rodando em infraestrutura de dólares digitais que liquida em segundos e custa quase nada.

Neobanco por cima. Cripto por baixo. Não é um compromisso. É o melhor dos dois mundos.

O abismo é a oportunidade

Estamos num momento estranho. A tecnologia subjacente amadureceu mais rápido do que qualquer um esperava. US$ 33 trilhões em volume. US$ 300 bilhões em oferta. A regulamentação tá chegando junto, com frameworks assinados em lei nos EUA, Hong Kong e Canadá.

Mas os produtos voltados ao usuário ainda estão presos em 2019. Seed phrases. Dropdowns de rede. Malabarismo com tokens de gas. Os mesmos problemas de UX que o pessoal reclamava cinco anos atrás, amplamente sem solução.

Quem tá construindo nesse espaço tem uma escolha. Continuar construindo pro pessoal que já entende como tudo funciona. Ou construir pros bilhões que não entendem e não deveriam precisar entender.

A gente sabe de que lado tá.


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